Os 50 anos do Woodstock



Lendário festival da era hippie ocorreu de 15 a 18 de agosto de 1969


O maior festival da história está completando 50 anos nesta quinta- feira 15. O evento Woodstock Music & Art Fair (conhecido informalmente como Woodstock ou Festival de Woodstock) foi realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969 na fazenda de gado leiteiro de 600 acres de Max Yasgur, próximo à região de White Lake, na cidade de Bethel, no estado de Nova York, nos Estados Unidos.

Anunciado como "Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música", o festival deveria ocorrer originalmente na pequena cidade de Wallkill, mas os moradores locais não aceitaram, o que levou o evento para a pequena Bethel, a uma hora e meia de distância.





A ideia inicial era, principalmente, promover a criação musical no norte de Nova Iorque, fazendo uma série de shows. Ninguém, sobretudo os jovens organizadores, imaginava que o Festival de Woodstock se tornaria um evento emblemático de uma geração e do movimento hippie, com sua mensagem idealista de paz e amor para romper uma década de violentas manifestações e assassinatos.

O festival exemplificou a era da contracultura do final da década de 1960 e começo de 1970. Trinta e dois dos mais conhecidos músicos da época apresentaram-se durante um fim de semana por vezes chuvoso, para 400 mil espectadores. Apesar de tentativas posteriores de emular o festival, o evento original provou ser único e lendário, reconhecido como um dos maiores momentos na história da música popular.

Em um primeiro momento, os organizadores estipularam em US$ 18 o valor dos ingressos para estes três dias de shows. No line up, nomes que se tornaram lenda, como Creedence Clearwater Revival, The Who, ou Crosby, Stills, Nash and Young. 





Os organizadores - John Roberts, Joel Rosenman, Michael Lang e Artie Kornfeld, todos nos seus 20 anos - rapidamente mudaram os planos, diante das filas gigantescas que invadiam as estradas que levavam à fazenda de Bethel. O acesso ao festival se transformaria, então, na imagem do que foi o evento: livre.

Logo depois dos primeiros acordes, um temporal caiu sobre o local, transformando o gramado em um campo de lama. Faltava comida. Não se ouvia muita coisa, mas era possível escutar os helicópteros que traziam os músicos e víveres.
Fim de semana 'idílico' 





Sri Swami Satchidananda, um mestre iogue que chegou da Índia, deveria dar o tom do festival, fazendo na abertura um apelo à compaixão. "Estou feliz de ter todos os jovens dos Estados Unidos reunidos aqui em nome dessa arte que é a música", declarou este homem franzino e barbudo, levando a multidão a emitir o mantra "Om".

Outros cânticos mais intensos viriam depois: Joe McDonald, do grupo de rock psicodélico Country Joe and the Fish arrastaria a multidão a cantar um retumbante "Fuck", antes de entoar o hino antiguerra "I-Feel-Like-I'm Fixin'-to-Die-Rag". O festival terminava com uma interpretação futurista do hino nacional americano, "The Star-Spangled Banner", por Jimi Hendrix.

Pelo menos uma pessoa teria morrido de overdose, e um trator teria esmagado uma pessoa deitada em seu saco de dormir, conforme registros da época. Como um filme bombardeado pela crítica até se tornar "cult", o evento havia sido, até então, tratado com desdém pela grande mídia.

O evento foi capturado em um documentário lançado em 1970, Woodstock, e em uma trilha sonora com os melhores momentos, bem como na canção Woodstock, de Joni Mitchell.